
ARTE vs VAIDADE
18 maio, 2010Quando um artista se deixa levar pela vaidade, está colocando sua arte em risco.
A afirmação não é de nenhum grande pensador, trata-se de uma conclusão que cheguei observando alguns artistas, analisando suas trajetórias e me lembrando de alguns momentos vividos.
… Nelson Faria cita em seu livro “A arte da improvisação”: a música não é feita nem de regras nem de clichês; a música transcende a estas coisas, e deve ser tocada e estudada tendo sempre este sentido em mente.
Oras, se não é o fato de saber mais escalas ou acordes do que o companheiro de instrumento ou banda, o fator que o torna melhor do que outro músico, qual o por quê de se colocar a vontade de demonstrar tudo o que se sabe numa execução qualquer, comprometendo assim o resultado da sua arte?
Em minha opinião a resposta mais natural seria a vaidade.
A vaidade compromete, expõe e ridiculariza o indivíduo, principalmente porque coloca em jogo todo trabalho de construção, ensaio e inspiração da banda. Já presenciei situações onde performances incabíveis para o momento atrapalharam momentos de oração importantes na igreja, terminaram assuntos que poderiam ser interessantes entre duas pessoas em um bar com música ao vivo ou simplesmente fez com que o pouco público que tínhamos (neste dia eu também estava no palco), levantasse e fosse embora.
Símbolo de imaturidade musical, muitas vezes o indivíduo acaba incluindo na sua categoria de incoerente os outros companheiros de palco, principalmente quando age como se aquele ato fosse algo natural e que recebe o apoio dos demais membros da banda.
No entanto, até mesmo os músicos mais experientes precisam lutar contra a vaidade e impor toda sua honestidade musical à frente. Isso faz toda diferença pra quem houve o resultado, além de no final trazer um enorme prazer de dever cumprido – “fiz o que tinha que ser feito, nem mais, nem menos…”.
Se você quiser um bom exemplo de músico disciplinado e coerente com sua música, mesmo considerando sua enorme capacidade técnica, procure algum disco do baixista chamado Richard Bona ou disco do guitarrista Pat Metheny com o pianista Lyle Mays.